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Diretoria de
Marcas tenta superar dificuldades com
organização
Vencer
dificuldades, algumas delas históricas, é sempre a tônica das
palestras de diretores do INPI, quando convidados a participar
do almoço mensal da ABPI. Contidos em uma estrutura muito
aquém da importância do trabalho que exercem, procuram
emprestar o melhor de sua capacidade para dar novo ânimo ao
Instituto. Com a Dra. Maria Elizabeth Broxado, diretora de
Marcas, que esteve conosco durante o encontro de julho, no
restaurante Casa da Suíça, no Rio, não foi diferente, mas a
firmeza com que apresentou seus projetos deixou no ar um clima
de confiança entre os participantes.
Primeiramente, a
Dra. Maria Elizabeth fez um breve balanço do quadro de
funcionários disponíveis na Diretoria de Marcas. Lembrou que
conta com 51 técnicos, responsáveis pelo trabalho
especializado da área; 114 auxiliares administrativos e outras
22 pessoas ligadas a serviços terceirizados. Para melhor
aproveitar esse contingente, a palestrante anunciou que está
reativando o Núcleo de Documentação, área que está prevista no
regimento interno do Instituto, mas que estava inoperante.
Atuando no Núcleo, os técnicos poderão se dedicar àquelas
tarefas que exigem qualificação especial, deixando as
notificações, arquivamentos por falta de recurso ou pagamento
e outras tarefas que não necessitam de um exame aprofundado a
cargo dos auxiliares administrativos.
Em seguida, a
Dra. Maria Elizabeth apresentou o número de pedidos
depositados recentemente no INPI. Em 1999 foram 91.695, em
2000 o número chegou a 107.375 e, até maio deste ano, haviam
dado entrada no órgão 33 mil pedidos. Segundo ela, esses
números já se traduzem em pendências, uma vez que a Diretoria
de Marcas ainda analisa os pedidos depositados até 1998. A boa
notícia é que existe uma evolução constante no número de
despachos, conforme comprovou a Dra. Maria Elizabeth. Em
janeiro e fevereiro deste ano ocorreram 9.800 despachos, em
março e abril, 12.900, em maio e junho, 21.672 e, em julho,
foram 30.400. Enquanto avança nesta área, sua equipe também se
empenha em fazer com que os certificados sejam entregues
juntamente com a publicação da Revista do INPI.
Ao
falar nos diversos projetos que pretende implementar em sua
diretoria, a Dra. Maria Elizabeth deixou clara sua aposta na
informática. Quer que o despacho de notificações, de vários
formatos, seja feito de forma automática, notadamente daquelas
que não necessitem de avaliações detalhadas. Um programa de
computador é capaz de identificar prazos, verificar o valor da
petição, etc, e emitir a notificação, avalia.
Com a
entrada em vigor da 8ª edição da classificação de Nice, cujo
documento vem sendo traduzido, está em desenvolvimento um
sistema que permitirá o agrupamento de processos. Ela pretende
também que o depósito do pedido de registro seja feito em
disquete, o que, além de reduzir o trabalho de digitação do
INPI, permitirá que figuras de marcas sejam também
digitalizadas. Outra meta a ser alcançada refere-se à busca
figurativa, hoje feita por um sistema de fichas e que deverá
passar a ser feita pelo terminal, seguindo agora a
classificação do acordo de Viena. A palestrante garantiu a
todos que seu maior sonho em termos de informática é a criação
de uma central de informações sobre marcas no INPI. Muitas
vezes o usuário recebe informações controvertidas por parte do
INPI, de autores nunca encontrados, que terminam por
contribuir para que a instrução do processo seja feita de
forma errada, analisa a Dra. Maria Elizabeth.
Mas nem
todas as mudanças propostas pela Dra. Maria Elizabeth dependem
unicamente da informática. Uma de suas lutas é para que haja a
uniformização de procedimentos em despachos, algo que vem
exigindo reuniões semanais. Seis coordenadorias agiam de forma
diferente diante de uma mesma situação, criando vários
problemas, explicou a palestrante. No final do ano, ela
pretende realizar um encontro com técnicos franceses que
apresentarão sua experiência sobre exames de marcas
tridimensionais. Este mês, ela iniciou o exame de marcas
notórias, relativas à entrada em vigor, em 1997, da nova Lei
de Propriedade Industrial e também concentra esforços no
tratamento das marcas de alto renome.
Terminada sua
apresentação, a Dra. Maria Elizabeth foi bastante elogiada por
aqueles que pediram a palavra para realizar perguntas. Como já
se esperava, o debate foi longo e repleto de novas indagações,
não apenas em função das necessidades profissionais de todos
com relação ao INPI, mas certamente por sentirem-se
encorajados pela feliz apresentação da Dra. Beta, como é
carinhosamente conhecida.
Entre as muitas perguntas
dirigidas à palestrante algumas serviram para deixar claro o
porque da Diretoria de Marcas estar tão atenta ao quesito
informática. O Dr. Luiz Edgard Montaury Pimenta argüiu sobre o
fato de que, no exame dos processos, não se confere se a
pessoa que o assina está devidamente autorizada a fazê-lo. Em
outro momento, o Dr. Ricardo Pereira Vieira de Mello lembrou
que existem 120 mil processos com classificação nova, cuja
pesquisa na base de dados do INPI é impossível de se realizar.
A Dr. Maria Elisabeth não se furtou a responder as duas
indagações, mas deixou claro que, embora os problemas afetem a
operação da Diretoria de Marcas, a solução, se houver,
pertence a outras áreas do Instituto, sobretudo a de
informática.
Em outro momento, o Dr. José Carlos
Tinoco Soares lembrou que muitos dos certificados emitidos
pelo INPI são expedidos com erros e, posteriormente, são
devolvidos ao Instituto para correção. Às vezes, segundo ele,
a correção de uma simples letra leva mais de seis meses para
ser solucionada. A Dra Maria Elizabeth argumentou que o
problema acontece no início do processo, quando um dado é
digitado erroneamente, e que não existe qualquer crítica para
que isso seja corrigido logo no começo. O problema então,
segundo ela, afeta os usuários, que ficam insatisfeitos, e a
Diretoria de Marcas, que tem de fazer o serviço duas ou três
vezes. Ela pretende fazer com que a crítica retorne ao
sistema, para que todos os dados sejam revistos antes do
andamento do processo, mas sabe que isso não irá acontecer
repentinamente. Sem eximir o Instituto de responsabilidades,
ela lamentou o fato de que muitos processos ficam longos anos
em tramitação e que, os próprios interessados, só se dão conta
de erros desse tipo no
final.
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